Carta do Superior Geral – CARTA DO ADVENTO A ENCARNAÇÃO “AQUI E AGORA”

A todos os membros da Família Vicentina Prezados membros da Família Vicentina, Que a graça e a paz de Jesus estejam sempre conosco! Cada tempo do ano litúrgico é um dom de Deus para nós. O tempo do Advento é um presente que Deus nos concede! A “Encarnação” é um dos mistérios centrais da espiritualidade de São Vicente de Paulo. Todo o período do Advento, assim como o Natal e o tempo do Natal, colocam o mistério da Encarnação no centro de sua mensagem.

A Encarnação significa que Deus se fez homem. Deus se torna um ser humano como nós. Deus se rebaixou ao nosso nível. Deus se identifica com cada pessoa individualmente, desde o início da humanidade até o fim dos tempos.

Jesus se encarna sempre e, cotidianamente, em todos os recôncavos do mundo. A cada concepção, no início de cada vida humana, Jesus se encarna novamente. Consequentemente, a presença real de Jesus na pessoa humana, sua Encanação, deve ser reconhecida em cada período da história humana, em todas as áreas do desenvolvimento humano: na fé, na cultura, na ciência, na educação, na política, etc.

Este Jesus que foi concebido, que nasceu, que sofreu, que morreu e ressuscitou dos mortos, vive “AQUI E AGORA”; tem sede e deseja ser redescoberto através de nós, para renovar e aprofundar nossa proximidade com Ele, nossa amizade, o amor entre ele e eu.

São Vicente de Paulo nos deixou, entre outros, através dos seus escritos, os seguintes pensamentos sobre a Encarnação:

“Como, segundo a Bula de ereção da nossa Congregação, devemos venerar de maneira particular os inefáveis mistérios da Santíssima Trindade e da Encarnação, procuraremos cumprir isto com o maior cuidado e, se puder ser, de todas as maneiras, mas principalmente executando estas três coisas: 1ª fazendo frequentemente do íntimo do coração atos de fé e religião sobre estes mistérios; 2ª oferecendo todos os dias à sua glória algumas orações e obras pias e principalmente celebrando as suas festas com solenidade e com maior devoção que pudermos; 3ª trabalhando com toda vigilância para, com instruções e exemplos nossos, infiltrar nos ânimos dos povos o conhecimento, honra e culto deles” (Regras comuns da Congregação da Missão, X, 2).

“E porquanto, para venerar perfeitamente estes mistérios, nenhum meio pode dar-se mais excelente do que o devido culto e bom uso da sagrada Eucaristia, quer a consideremos como sacramento quer como sacrifício, pois contém em si como que a suma dos outros mistérios da fé e por si mesma, santifica e, finalmente, glorifica as almas dos que dignamente comungam e devidamente celebram, e daí resulta amplíssima glória a Deus uno e trino e ao Verbo Encarnado. Por isso nada teremos por mais recomendado do que rendermos a devida honra a este sacramento e
sacrifício como também trabalharmos com todo o desvelo para que por todos lhe seja dada a mesma honra e reverência, o que procuraremos cumprir com todo o esforço, impedindo principalmente, quanto puder ser, que acerca dele algo se faça ou diga irreverentemente, e ensinando com diligência aos outros o que devem crer desde tão soberano mistério e de que modo devem venerá-lo” (Regras Comuns da Congregação da Missão, X, 3).

O Padre Erminio Antonello, CM, partilha conosco a seguinte reflexão:

Enquanto os homens tentavam de todas as maneiras se exaltar e ser “deuses”, Deus não teve medo de inverter o curso das coisas e de se tornar homem: não um homem famoso, mas uma criança, desde o começo frágil e ameaçada. São Vicente dizia: “No entanto, ainda não vemos que o Pai eterno, quando enviou seu Filho à terra para ser a luz do mundo, o fez parecer como uma criança, como um desses pobrezinhos que vedes vir a esta porta?” (SV, XI, 377). O que há nos homens para que Deus queira se inclinar a eles e trocar sua divindade pela humanidade da criatura? Existe o amor de um Pai. Existe o seu desejo de abraçar fortemente a humanidade. Pode-se dizer que Ele sente a nossa falta. Ele quer que renasçamos através do seu amor. Talvez possa
parecer estranho que Deus sinta a nossa falta, nós que somos suas criaturas e, no entanto, toda a história da salvação nos fala sobre a sua busca por toda pessoa humana. É a intuição mística que conduzirá São Vicente ao reconhecimento da Encarnação contínua de Deus nos Pobres. Ele próprio sentiu a ternura de Deus e, após tê-la vivido e experimentado, pôde derramá-la sobre os pequeninos do Reino.

Viver hoje o mistério da Encarnação significa, então, reconhecer a realidade de ser invadido por este desejo de Deus (ou seja, por seu amor que nos busca, cujo nome é “Espírito Santo”) e confiar nele: isto nos faz sair da insignificância da vida. Cada um sente esta necessidade elementar, muitas vezes decepcionante: “Que eu seja visto com benevolência!” Este desejo é uma fonte de vitalidade psicológica. Quando ele fracassa encontrando olhares que depreciam e dizem: vós não tendes nenhum valor aos meus olhos, sois absolutamente insignificante, então nossos rostos se entristecem e a vida perde o seu brilho. Ora, qual é o olhar de Deus sobre nós, senão aquele que Jesus, o Filho feito homem testemunha? Ele olha com benevolência as pessoas e quer
estabelecer sua morada em cada um delas. Nesta atitude do Verbo Encarnado que se debruça sobre a humanidade, é a força vital do encontro benevolente e beatífico com Deus que está em jogo.

1) Como redescobrir hoje, Jesus Encarnado, este Jesus que está vivo “AQUI E AGORA” em minha própria vida?

2) O que posso fazer para que as diferentes festas e tempos do ano litúrgico que lembram a Encarnação de Deus feito homem: a Anunciação, o Advento, o Natal, possam ser celebrados de maneira mais pessoal e renovada em nossas comunidades, no centro de toda a Família Vicentina, com as pessoas com quem colaboramos e servimos, para nos ajudar a reconhecer o “AQUI E AGORA”
da Encanação, da presença viva de Jesus em nosso meio?

3) Quais novas iniciativas podemos sugerir e colocar em prática para que a presença de Jesus “AQUI E AGORA” seja ainda mais sentida em nossas comunidades, nos locais de serviço, nas aldeias, vilarejos, cidades, países e no mundo inteiro?

Entramos no tempo do Advento com a certeza de que não estamos sozinhos. Jesus, Nossa Senhora da Medalha Milagrosa, nosso Fundador, todos os Bem-aventurados e os Santos da Família Vicentina nos acompanham no caminho.

Meus pensamentos e minha oração acompanham todos os ramos da Família Vicentina e cada membro em particular. Que o caminho do Advento nos traga um profundo reconforto, alegria, encorajamento, compromisso renovado, paz e zelo! Que o Natal e o tempo de Natal unam nossos corações e nossas mentes!

Juntos em oração diante do presépio e confiando-nos à Providência, esperamos com grande confiança o ano de 2017, aniversário dos 400 anos do nosso Carisma comum. Abertos aos “sinais dos tempos”, continuamos a caminhar juntos, pois “o amor é inventivo até o infinito” (SV, XI, 146). Desejo-lhes uma bela festa de Natal e um excelente ano de 2017!

Seu irmão em São Vicente,

Tomaž Mavrič, CM
Superior geral

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