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ASSEMBLEIAS INTERNACIONAIS

1ª Assembleia – 2001 – Madrid – Espanha


Homilias

LEITURAS: 1 João 2, 22-28; João 1, 19-28

 

            Estou muito contente por poder estar hoje aquí e fazer parte desta Primeira Assembléia Geral de MISEVI. A juventude é uma formidável etapa da vida. Vocês têm esperança, energia, alegria, entusiasmo, criatividade. Certamente, os jovens são a esperança do futuro. Se o futuro há de ser melhor, será graças a vocês, jovens. Se as famílias do futuro serão fortes, será porque vocês as construirão desta forma. Se a sociedade começa a enfrentar os grandes problemas que hoje vocês percebem – corrupção na política, desemprego, pobreza – será porque vocês participarão neste processo. Se existirá maior paz no futuro, será porque vocês serão construtores da paz, iniciando tal empenho entre os seus amigos, em casa, com os seus irmãos e irmãs, no trabalho. O Papa chama vocês, jovens, o futuro da Igreja. Na verdade, vocês serão os anunciadores de Jesus ao mundo, do Senhor Ressuscitado e Vivo que nos fala e nos alimenta nesta Eucaristia de hoje.

            O Evangelho de hoje nos fala de João Batista. Era jovem; tinha, aproximadamente, trinta anos. Alguns aspectos da vida de João Batista não são realmente fáceis de imitar; até mesmo podem nos parecer repugnantes. Vivia no deserto. Comia gafanhotos e mel silvestre. Vestia uma roupa de pele de camelo e tinha na cintura um cinturão de couro (Mc 1, 4-6). Jejuava com freqüência e bebia pouco (Lc 7,33).
            Mas havia nele algo que atraía de maneira maravilhosa. Até mesmo Herodes, que o assassinou, achava um certo fascínio em João (Mc 6,20). Quando João falava, Herodes o escutava de bom grado; acrescente-se que as suas palavras eram fortes. Outrossim, o maior elogio recebido por João veio do próprio Jesus que disse ser o mesmo “uma lâmpada que ardia e iluminava” (Jo 5,35) e o qualificou como o maior homem que jamais tinha visto na história (Lx 7,28).

            Gostaria de partilhar com vocês três reflexões referentes a este grande homem.

            1. João dedicou toda a sua vida à vinda de Jesus. “Eu sou o Cristo. Outro virá depois de mim. Ele deve crescer e eu devo diminuir” (cf. Jo 1,20; 3,30). Ele compreendeu que a sua vocação consistia em preparar o caminho do Senhor, até a morte. A nossa vocação na Família Vicentina é parecida. Para todos nós, a pessoa de Jesus deve ser absolutamente o centro das nossas vidas, como foi para João Batista. São Vicente nos convida a ter o mesmo pensamento de Jesus, o seu coração, os seus sentimentos e a sua vontade. Chama-nos a possuir o mesmo amor e a mesma reverência que Jesus teve pelo seu Pai; um amor concreto e compassivo para com os pobres. Com Jesus, cremos na providência divina que tudo dirige, domina. Para todos nós, reunidos nesta Assembléia de MISEVI, assim como para João Batista, não há outra pessoa mais importante que Jesus. Cristo é a regra na tradição missionária.

            2. Em segundo lugar – e não menos importante -, como missionários, servimos a Cristo não somente em sua pessoa, mas também na pessoa dos pobres. “A Boa Nova é anunciada aos pobres” (Mt 11,5). João reconhece claramente o fato de que Deus está presente em Jesus e que Jesus mesmo se identifica com os pobres: “Porque tive fome e me destes de comer; tive sede e me destes de beber; era estrangeiro e me acolhestes; estava despido e me destes de vestir; doente e me visitastes; na prisão e fostes me visitar” (Mt 25,35). Às vezes, é difícil ver a figura de Cristo nos pobres. Acontece que, a princípio, como nos diz São Vicente, pode parecer-nos repugnante, “mas dai uma volta na medalha e vereis com as luzes da fé que são estes os que representam o Filho de Deus, que quis ser pobre...”  (SV XI, 32 = ES XI, 725). Animo-os a meditar dia-a-dia sobre a pessoa de Jesus, como nos aconselhava São Vicente de Paulo. Reconheçamos Cristo nas pessoas assassinadas na Ruanda e em outros países, na gente que vive pelas ruas das grandes cidades da Espanha, nas vítimas da violência no primeiro, segundo e terceiro mundo.

            3. Para apresentar João Batista, Marcos, Mateus e Lucas citam as palavras do profeta Isaías e nos dizem que aquele é a voz que grita no deserto: “Preparai os caminhos do Senhor, aplanai as suas veredas”. Mas Lucas acrescenta uma expressão de Isaías que nenhum outro evangelista usa. Diz: “Então todos os homens verão a salvação de Deus”. A universalidade é um dos temas prediletos de Lucas. Todos os seres humanos, não somente os judeus, não somente os cidadãos do Império Romano, todos são convidados a escutar o Evangelho; ele deve chegar até os confins da terra. Nossa vocação, como a de João Batista, é a de ser missionários e ir em direção a todos os homens e todos os lugares. São Vicente, fundador da Congregação na França, ao longo de sua vida, enviou missionários à Polônia, Itália, Argélia, Madagascar, Irlanda, Escócia, às Ilhas Hébridas e às Orkneys. Nossa mesma vocação vicentina nos chama a possuir uma visão universal. Então, digo-lhes: Vão, vão a todas as partes do mundo.

            Hoje, portanto, convido-os a estar cheios de alegria e de entusiasmo. Nesta Primeira Assembléia de MISEVI, a palavra de Deus nos chama a fazer de Jesus o centro da nossa vida e também a encontrá-Lo e servi-Lo na pessoa do pobre. Vocês, jovens, têm um magnífico futuro. Que o mesmo Senhor seja o alicerce de tal futuro, impulsionando-lhes em direção aos confins da terra. Sirvam a Ele e somente a Ele.

 

Pe. Robert P. Maloney, C.M.

 

Quarta-feira, 03 de janeiro de 2001
Madri
Primeira Assembléia Geral de MISEVI
Segundo dia: renovação do nosso seguimento

 

HOMILIA

            A Liturgia deste tempo propõe-nos três modelos de seguidores de Jesús, dos quais se pode aprender muito: Os Profetas, João Batista e Maria.

            Os profetas eram pessoas boas, boa gente que – em nome de Deus – convidava todos a identificar o Messias e a segui-Lo quando o mesmo viesse. Para tanto, era preciso preparar-se. A maioria das pessoas não lhes dava atenção. Mas eles eram insistentes e admiráveis pela sua constância.

            Os entusiasmos missionários de um dia ou de uma pequeno período valem pouco. A constância é imprescindível. Devemos sugeri-la, programá-la e trabalhar ao seu favor.

            João Batista exerce o seu papel de seguidor de Cristo com simplicidade. Faz um convite à conversão, que significa “voltar-se em direção a Jesus e aproximar-se d’Ele sem complicações, com singeleza e humildade: “Não, eu não sou o Messias; o Messias é aquele...”; seguidor carinhoso, faz-se tudo a todos e, de forma generosa, oferece a própria cabeça para permanecer em sua coerência.

            Mas o autêntico modelo de seguimento neste tempo natalino é Maria. A Maria dizemos coisas bonitas: “Flor das flores, Arca da Aliança, Casa de Ouro, Torre de Marfim...”. Os teólogos fazem enérgicas, importantes e precisas afirmações com respeito a Maria: Mãe de Deus, Mãe da Igreja, Mãe de todos os homens, nossa Mãe...

            Outrossim - e com certeza - o título mais importante da Virgem Maria na História da Salvação é o de primeira seguidora de Cristo. Ela é a primeira cristã. Santo Agostinho expressa isso de forma clara: Maria é grande porque guardou Jesus Cristo no seu ventre, mas ainda é maior porque guardou-O na sua mente e no seu coração.

            Um dia Deus dirigiu o seu olhar à jovem mais pura, bondosa e bela de todo o Israel e perguntou-lhe se queria ser a mãe do prometido. Ela deu o seu “sim” e tudo se cumpriu. Certamente a sua atitude não foi nada fácil; deve haver-lhe custado muitíssimo; depois de passado, saber hoje é outra coisa; na época, ela devia ter somente uma idéia aproximada do assunto que conhecia através da Bíblia. Foi-lhe possível cumprir a palavra dada graças à ajuda de Deus – pela qual sempre foi premiada – e ao seu esforço pessoal.

            Fez tudo de uma forma tão nobre que não lhe chamamos “santa”, senão “santíssima”. Deve ter encontrado grandes dificuldades. Costumamos atenuar os fatos, por exemplo, o nascimento do Menino Jesus: com suas luzes, seus pastores, seus reis, os anjos com a suas músicas celestiais e algo mais... Sim, aquilo deve ter sido, na verdade, um pequeno desastre: fora de casa, Maria inexperiente, José um tanto leigo e, sobretudo, o lugar onde se encontravam.

            A fuga ao Egito foi  “pintada com uma tinta tão agradável” que nos dá vontade de seguir caminho junto a São José e arrear o burro que leva a Virgem e o Menino. A realidade deve ter sido marcada pelo medo: estão entre os primeiros emigrantes; seguem viagem a um país estranho, sem família, sem dinheiro; desconhecem o idioma e os costumes...

            É melhor não continuar para não ter que falar da morte de cruz de Jesus na presença de sua mãe que aguentou tal sofrimento firmemente. Somente mencionar o desmaio que  deve haver sofrido a Virgem quando, sozinha, Jesus lhe disse que iria embora de casa e partiria em missão.

            Ser missionário vicentino, em qualquer de suas formas, como missionário leigo, é apaixonante, mas ninguém pode dizer que consiste tarefa fácil, tão pouco impossível.

            Meios adequados para poder cumprir a Palavra confiada? Os meios utilizados por Maria: pedir ajuda a Deus porque, se assim fizermos, a missão nunca há de deixar de ser coisa de Deus e esforço pessoal nosso. Jesus convida-nos a isso: “Buscai e encontrareis; tocai e a porta ser-vos-á aberta; pedi e recebereis”. Mas Jesus diz buscai, tocai, pedi... porque Deus não deseja ter filhos preguiçosos; Ele  quer que estejamos alertas no serviço.

            Isso tudo quer dizer que de nada vale aquilo que algumas mocinhas escrevem na primeira página do seu livro de textos no início do curso: “Virgem Santa, Virgem Pura, faz com que eu seja aprovada nesta disciplina”, como se a própria Virgem fosse ser examinada; deviam pedir-lhe: “Dá-me coragem e forças para estudar pois, assim, seguramente serei aprovada”.

Santa Maria, fiel cumpridora da palavra confiada, roga por nós que recorremos a Vós!

(Alguns minutos de reflexão pessoal)

Pe. José Gonzalo, C.M.

 

 

 


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